Sinfonía de vozes para Martinho
Rivero, Manuel - viernes, 23 de octubre de 2026
Martinho Montero: referente da nossa identidade cultural
Neste 24 de outubro, a meia tarde, nas antigas escolas do Castro de Cerdido, a luz da palavra brilha con intensidade, harmonia, agarimo e agradecimento a um dos grandes entre os grandes dos nossos intelectuais. Esta sinfonia de vozes de diferentes idades, procedências, formas de sentir e de pensar criam um cosmos de gratidom e alegria vibrante. Um coro polifónico que se une para fazer o melhor agasalho sonoro e emocional ao seu referente indiscutível, contribuindo con orgullo e generosidade para que o talento, o saber e a identidade da nossa terra continuem a medrar. Eis o eco vivo de três geraçons unidas polo afecto e o rigor da escrita:
1) Pedro José Rivero Fuente (Pamplona)
A semente do maxistério na memória da infáncia: Do Carmo ao pinheiral de Cabanas
Nacín no ano 1982 e tiven a imensa fortuna de criar-me e medrar no seo dunha familia extensa, nobre e xenerosa, da que formárom parte indivisível figuras fundamentais da nossa cultura como Martinho Montero Santalha, Nanda, Maria do Carmo Salgado, Lola Arribe e Pepa Abeleda. Para um neno, medrar rodeado polo mimo, o coidado e o agarimo de todas estas pessoas de bem supuxo um privilégio vital que marcou de forma indelével a minha própria trajectória e o meu amor polos livros e pola nossa identidade.
As minhas lembranças máis temperás estám ateigadas de gratitude cara ao professor Montero Santalha. Hoxe, cando estou no Ferrol e vou á missa á igreja do Carmo coa minha mulher, meu pai e os meus filhos, se podo, ocupo os mesmos bancos de cando eu era neno, mantendo vivo um fío que o tempo nom puido romper. Ese mesmo fío aflora cando me encontro con Pepa Abeledo polas ruas ferrolás; Pepa sempre me lembra aquela etapa da minha infáncia e o asombroso parecido que tenho cos meus filhos. Do Martinho recordo con especial tenrura o profundo carinho que lhe tiña á minha avoa Gabriela. Ao ser de orixe maragata, Martinho conversava con ela sobre as costumes e a história de vida daquelas gentes tam trabalhadoras e sérias; persoas de poucas palabras que, moitas veces, falávam cos seus próprios silêncios.
Un tesouro inestimável que gardo con inmensa alegría dende hai máis de trinta e cinco anos, e do que hoxe desfrutan os meus filhos Xabier e Pedro, é o taburete de Casal de Gonce. Lembro con total nitidez aquela tarde de verán no pinheiral de Cabanas, cando o pai de Martinho me agasalhou con esa peza de madeira. Pouco despois, a miña nai Tereixa encargou-se de darlle vida e eternidade ao aplicar-lhe umha espécie de verniz antigo de cor castanho escuro e pintalo con suma delicadeza: no centro do asento circular, rodeado por fendas concéntricas que marcan o paso do tempo, desenhou tres rosas amarelas coas súas raminhas verdes, um desenho floral que transmite paciência e tenrura. Este utensilio doméstico, que hoxe preside o noso fogar rodeado de vellos livros, constitúe o símbolo perfecto desa amizade herdada.
Hoxe, o concelho de Cerdido faz justiça histórica, institucional e poética ao nomeá-lo Filho Predilecto. Martinho nom é só o mestre da nossa escrita; é o homem bom que de forma sutil soube guiar os meus primeiros passos coa paciência e a humildade dos grandes sábios. Por ser como é, e por toda umha vida de entrega, humanidade e polas lembranzas que nos unen, sempre terá a minha admiraçom, gratitude, respeito e carinho inquebrantável. Parabéns, querido mestre e amigo da nossa familia, por este reconhecimento tam merecido na tua terra natal.
2) Veneranda Aida Rodríguez Núñez - Nanda (Ourense)
O xermolo da nossa escrita: Lembranças da Domus Ecclesiae, de Caranza e do Carmo
Conheci a Martinho Montero Santalha no Ferrol, alá polo ano 1975. Tiven a imensa fortuna de assistir, junto coas minhas queridas amigas Lola Arribe e Maria do Carmo Salgado, ao seu primeiro curso de galego na Domus Ecclesiae. Martinho foi-se convertendo dende aquel instante no meu referente indiscutível; com el aprendi a amar e a ser reintegracionista, umha normativa que, graças ao seu magistério, utilizei sempre com orgulho. Daquele primeiro grupo de alumnas saírom as pessoas que participárom de forma activa na fundaçom da AGAL (Associaçom Galega da Língua), un fito histórico onde partilhávamos inquedanças Lola, Maria do Carmo, o meu bom amigo Manuel Rivero e eu mesma.
O compromisso de Martinho coa docência e co povo era total; lembro-o bem quando estaba de mestre em Caranza e un dia foi falar-lhes das Letras Galegas ás crianças, espalhando a semente da nossa identidade cos mais novos. Junto a este respeito intelectual, a minha gratitude funda-se nas lembranças mais íntimas: as comidas entrañáveis que partilhamos no fogar de Manuel Rivero e da sua mulher Tereixa, vendo jogar ao pequeno Pedriño, aquele menino rebuldeiro, listo, trasto e pillo; e, de forma mui especial, a assistência ás missas que Martinho oficiava na igreja do Carmo. Escoitá-lo ali, junto con Manuel, Tereixa e o neno, era um privilege. As suas homilias éram toda umha classe magistral: breves, concisas, de muito peso, que iluminávam o entendimento e prendiam no coraçom de quem as escoitava.
Hoje, o concelho de Cerdido faz justiça histórica e poética ao nomeá-lo Filho Predilecto. Martinho nom é só o mestre da nossa escrita; é o homem bom que semeou o futuro da nossa identidade coa paciência e a humildade dos grandes sábios. Por ser como é, e por meio século de amizade, entrega e humanidade, sempre terá a minha admiraçom, gratitude, respeito e carinho inquebrantável. Parabéns, querido mestre e amigo, por este reconhecimento tam merecido dende a tua terra natal.
2) Manuel Rivero Pérez (Ferrol)
Martinho Montero Santalha, mestre e amigo
Conheci a Martinho Montero Santalha no Ferrol, alá polo ano 1975. Desde hai mais de meio século, converteu-se no meu referente intelectual indiscutível; esa fonte inesgotável de sabedoria, gratitude e humildade á que acudo sempre que as dúvidas assaltam o caminho da nossa língua. Um vínculo de fonda amizade que, longe de esmorecer, se foi reforçando e agasalhando co passo do tempo.
A generosidade de Martinho ficou gravada nas páginas da minha própria trajetória investigadora: el foi quem elaborou o prólogo do meu livro "Eugenio Montes, o intelectual silenciado"; e quem, mais recentemente, voltou agraciar co seu magistério o prólogo do volume -já em imprenta- "Lino Novás Calvo. Olhares galegos do escritor das Grañas do Sor".
O seu compromisso coa nossa cultura é imenso. Martinho é o intelectual galardoado co Bítere de Honra Aurora Sampedro 2026, outorgado pola sua valiosa contribuiçom ao conhecimento da nossa científica galego-maragata universal. Froito desta admiraçom partilhada pola figura de Aurora Sampedro, agasalhou-nos co emotivo acróstico "Aurora Sampedro, matinal Aurora!", incluído no livro dos Premios Bítere de Honra 2025.
Hoje, o concelho de Cerdido faz justiça histórica e poética ao nomeá-lo Filho Predilecto. Martinho nom é só o mestre da nossa escrita; é o homem bom que espalhou luz sobre a nossa identidade. Por ser como é, sempre terá a minha admiraçom, gratitude, respeito e agarimo. Parabéns, querido mestre e amigo, por este reconhecimento tam merecido.

Rivero, Manuel